The Blog

Ascensão

Meu prédio tem dois elevadores: um social e um de serviço. Eu quase sempre uso o de serviço, pois minha sapateira fica na área de serviço (tenho uma filha pequena, então não gosto de entrar em casa de sapato) e também porque a ação da luz forte + espelho cristalino do elevador social me deixam um pouco nervosa com a sobrancelha por fazer, a roupa marcando, etc. O fato não é esse, o que quero contar é que outro dia eu estava na garagem ao lado da funcionária da minha vizinha (não gosto do termo “empregada doméstica”, acho que isso é mais uma das coisas que precisam mudar) esperando o elevador de serviço chegar. Demorou um pouco mais do que o normal, até que chegou. Abriram-se as portas e atrás de uma nuvem de poeira branca que voava diretamente para dentro das nossas narinas, conseguimos ver duas pessoas no meio de inúmeras pilhas de entulho que preenchiam as três paredes, do chão ao teto. Olhamos uma para a outra, suspiramos juntas e eu falei para ela: “vamos subir pelo social?”. Imediatamente constrangida, ela respondeu que não tinha a chave da porta de entrada do social, então ficaria ali mesmo (esperando por um bom tempo aqueles dois de calça presa na metade do bumbum para baixo terminarem o serviço no elevador – de serviço). Eu estava com meu bebê no colo, correndo para fugir da fumaceira, e também não queria constrangê-la ainda mais. Porque sei que é regra no meu prédio: funcionários e prestadores de serviço devem utilizar o elevador  de serviço. Eu subi, ela ficou. Que ascensão, essa. É… Independência ou morte?