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Belezas inacessíveis

Há tanta coisa que passa por nossos olhos, que a função do olhar acaba se tornando automática na nossa vida de todos os dias. Mas de vez em quando, acontece que nos aparece alguma coisa especial na frente. A paisagem mais esperada de uma viagem, uma obra de arte que conversa com a gente, quando a rua, de repente, fica parecendo um cenário de um filme que você já assistiu ou gostaria de assistir, uma igreja histórica, uma onda gigante que quebra no mar, ou ainda, o sorriso de uma pessoa querida. Algumas vezes, essas coisas crescem tanto diante de nossos olhos, que se tornam tão grandes, tão grandes, que parece impossível olhar tudo, completamente. E então, não conseguimos compreender, capturar e apreender, porque não conseguimos ver. Vemos os detalhes, um de cada vez, mas de vez em quando, simplesmente não podemos dar conta. Como aquela sensação de quando até a melhor foto não mostra o tamanho da beleza que presenciamos. Ou ainda, quando ouvimos uma boa musica: conseguimos ouvir os conjuntos de notas e arranjos, um de cada vez, numa seqüência nitidamente marcada pelo tempo. No final, podemos agrupar tudo o que ouvimos, porém tudo já passou. Qualquer coisa que vemos também já passou, seja porque se moveu, se mudou ou apenas foi o nosso olhar, que já se passou. A beleza, de tão grande, se torna inacessível. E enquanto não conseguirmos voar, respirar debaixo da água, nos tornar invisíveis ou enxergar o que há atrás das paredes, também nunca poderemos ver, nem compreender nenhuma das coisas. E acho que é justamente assim, com espaços, reticências e interrogações, a melhor forma que temos para entender grande parte das coisas.