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Fase ou mudança, simples e grandiosa

Um pouco antes do dia 31 de dezembro do ano passado, uma amiga minha me disse que queria me devolver um objeto que eu havia lhe emprestado, porque não queria virar o ano devendo qualquer coisa. Achei engraçado e interessante, especialmente porque ultimamente ouço muita gente dizer que não pensou em promessas de ano novo.  Vestiu-se de branco, pulou sete ondas, cumpriu o ritual. Mas no fundo, não sente que tudo vai mudar com uma simples (mas tão grandiosa!) virada no calendário. Eu confesso que sempre me emociono com o adeus ao ano velho. E que ainda faço, sim, uma listinha toda esperançosa a cada ano que passa, mesmo ficando mais velha. Admito que algumas linhas permanecem iguais há algum tempo, é verdade. E que é bem difícil encará-las toda vez e decidir: continuam aí ou caem fora? Enquanto penso, vou um pouco longe, me distraio e daí… já pensou se não existisse ano-novo? Se nosso tempo não fosse dividido e organizado conforme as unidades propostas pelo calendário gregoriano: dias, semanas e meses, que completam o mesmo ciclo há tantos e tantos tempos? O antigo não permanece imutável até hoje? É o mesmo, que nos dá direção e sentido, organiza e alivia. Parece-me bem moderno e atual, portanto, continuar me apegando a algumas promessas, que no fundo são caminhos em direção a sonhos antigos, que nunca saíram de moda, nem caíram em desuso. O ano vira, a vida muda, e acabamos acreditando que tudo na vida é uma fase, que vai passar. E algumas fases passam mesmo e viram mudanças mesmo. Mesmo assim, mesmo os sonhos mais antigos não perdem o sentido. É simples (mas tão grandiosa!), a decisão: para o ano que vem, vale a pena renovar e reforçar algumas linhas antigas de promessas permanentes da nossa vida.