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Vergonha de sempre

Muito esperto, Pero Vaz de Caminha, com sua história de “vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma”.

Um Novo Mundo. Imensidão de terras, nova língua, nova visão, o Descobrimento. Mas o escrivão de Cabral não tirava os olhos das descobertas, aquelas.

“Tão nuas”, dá pra imaginar que vigor tinha esta nudez desentendida, provável que andava apressada e curiosa. Da inocência, quem sabe dizer? Se elas tiverem entendido o português bem claro dos olhos que chegavam do longe do mar…

Se elas coraram as bochechas, não sei. Eles também não. Estavam… eram homens. O que sei é que de todos os textos que já li, foi Caminha que me ofereceu a descrição mais bonita sobre a… você sabe, a… aquela lá.

O encontro entre a vergonha e o olhar deixou o erotismo no ar. Não por ser coberta ou descoberta, mostrada ou desmostrada. Mas porque era inocente ou desinocente.

Quem vai saber? Ficou para trás, foi uma breve passagem de um que falou por muitos, de um instante que virou uma história. É verdade, uma instância que produziu efeitos que sentimos até 500 anos depois. Toda a crítica contra as obsessões pioneiras, que chegavam vestidas com calças de bolsos, cintas agudas, bússolas ambiciosas e crucificadas, tudo isso à parte.

Pois por ora, eu queria ficar com a pequena linha, do nosso passado sem vergonha, daquele curto instante em que masculino e feminino se descobriram como sempre.